Fílis e Amor
De Manuel Maria Barbosa du Bocage
Num denso bosque
pouco trilhado,
e a termos crimes
Acomodado,
Por entre a rama
Fresca e sombria
do tenro arbusto
Que me encobria,
Vi sem aljava
Jazer Cupido
junto a Fílis,
À mãe fugido.
A mais brilhante
dele afastando
Dizia a Fílis
com riso brando:
" Mimosa Ninfa
Glória de amor,
De-me um beijinho,
por esta flor?"
"Sou criancinha,
não tenhas pejo",
Sorriu-se Fílis,
Dando-lhe um beijo.
Mas o travesso
logo outro pede
À simples ninfa
que lhe concede.
Que por matar-lhe
Doces desejos,
A cada instante
Repete os beijos.
Assim brincavam
Fílis e Amor,
Eis que o menino
Sempre traidor
Com a pequenina
Boca risonha
Lhe comunica
Sua Peçonha.
Descora Fílis,
e de repente
Solta um suspiro
D'Alma inocente.
Mal que o gemido
Férvido soa
O mau Cupido
com ela voa.
Ninguém, ó Ninfa
(Diz a voar)
Brinca comigo
sem suspirar.
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