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Mostrando postagens de novembro, 2019

Não te amo

De Almeida Garrett Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.      E eu n'alma – tenho a calma,      A calma – do jazigo.      Ai!, não te amo, não. Não te amo, quero-te: o amor é vida.      E a vida – nem sentida      A trago eu já comigo.      Ai!, não te amo, não! Ai!, não te amo, não; e só te quero      De um querer bruto e fero      Que o sangue me devora,      Não chega ao coração. Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.      Quem ama a aziaga estrela      Que lhe luz na má hora      Da sua perdição? E quero-te, e não te amo, que é forçado,      De mau feitiço azado      Este indigno furor.      Mas oh!, não te amo, não. E infame sou, porque te quero; e tanto      Que de mim tenho espanto,      De ti medo e terror...  ...

O Gato Preto

De Edgar Allan Poe Não espero nem peço que acreditem nesta história sumamente extraordinária e, no entanto, bastante doméstica que vou narrar. Louco seria eu se esperasse tal coisa, tratando-se de um caso que os meus próprios sentidos se negam a aceitar. Não obstante, não estou louco e, com toda a certeza, não sonho. Mas amanhã posso morrer e, por isso, gostaria, hoje, de aliviar o meu espírito. Meu propósito imediato é apresentar ao mundo, clara e sucintamente, mas sem comentários, uma série de simples acontecimentos domésticos. Devido a suas conseqüências, tais acontecimentos me aterrorizaram, torturaram e destruíram. No entanto, não tentarei esclarecê-los. Em mim, quase não produziram outra coisa senão horror – mas, em muitas pessoas, talvez lhes pareçam menos terríveis que grotescos. Talvez, mais tarde, haja alguma inteligência que reduza o meu fantasma a algo comum – uma inteligência mais serena, mais lógica e muito menos excitável do que a minha, que perceba, nas circunstância...

Fílis e Amor

De Manuel Maria Barbosa du Bocage Num denso bosque pouco trilhado, e a termos crimes Acomodado, Por entre a rama Fresca e sombria do tenro arbusto Que me encobria, Vi sem aljava Jazer Cupido junto a Fílis, À mãe fugido. A mais brilhante dele afastando Dizia a Fílis com riso brando: " Mimosa Ninfa Glória de amor, De-me um beijinho, por esta flor?" "Sou criancinha, não tenhas pejo", Sorriu-se Fílis, Dando-lhe um beijo. Mas o travesso logo outro pede À simples ninfa que lhe concede. Que por matar-lhe Doces desejos, A cada instante Repete os beijos. Assim brincavam Fílis e Amor, Eis que o menino Sempre traidor Com a pequenina Boca risonha Lhe comunica Sua Peçonha. Descora Fílis, e de repente Solta um suspiro D'Alma inocente. Mal que o gemido Férvido soa O mau Cupido com ela voa. Ninguém, ó Ninfa (Diz a voar) Brinca comigo sem suspirar. ...

Negrinha

De Monteiro Lobato Negrinha era uma pobre órfã de 7 anos. Preta? Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados. Nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre velha esteira e trapos imundos. Sempre escondida, que a patroa não gostava de crianças. Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo reservado no céu. Entaladas as banhas no trono (uma cadeira de balanço na sala de jantar), ali bordava, recebia as amigas e o vigário, dando audiências, discutindo o tempo. Uma virtuosa senhora, em suma – “dama de grandes virtudes apostólicas, esteio da religião e da moral”, dizia o reverendo. Ótima, a Dona Inácia. Mas não admitia choro de criança. Ai! Punha-lhe os nervos em carne viva. Viúva sem filhos, não a calejara o choro da carne de sua carne, e por isso não suportava o choro da carne alheia. Assim, mal vagia, longe, na cozinha, a tr...

Gabarito - A cartomante

Então vamos lá!! Depois de vocês terem analisado o conto e tentado responder as questões,  aqui estão as respostas, mas é obvio que cada um tem uma concepção do que aconteceu!! 1. No primeiro paragrafo de "A cartomante", o que Rita procura saber? a) se o marido ainda a amava. b) se ficaria com o amado. c) porque Camilo tinha se afastado. d) quem Camilo amava de verdade. e)se Camilo algum dia a esqueceria. 2. Mesmo não acreditando em supersticiosidade, Camilo assim como Rita, resolveu consultar a cartomante, por quê? R: Camilo estava preocupado com que poderia acontecer com a amante diante do chamado do melhor amigo. 3. Qual foi papel fundamental da morte da mãe de Camilo? R: Foi exatamente por esse episodio que Camilo e Rita se aproximaram. 4. O autor do conto, deixa um suspense no ar atiçando a curiosidade do leitor, um desses momentos envolve o personagem de Vilela. Qual o fato misterioso que percebemos no texto que esta referente a Vilela? R...